Atomoxetina no TDAH: uma alternativa aos estimulantes

Cada vez mais pessoas pesquisam sobre TDAH. Muitas chegam ao consultório com dúvidas, medo de efeitos colaterais ou receio de usar estimulantes. E isso é compreensível.

O tratamento do TDAH evoluiu. Hoje, além dos estimulantes tradicionais, existem alternativas que podem ser mais adequadas para alguns perfis. Uma delas é a atomoxetina.

O que é a atomoxetina?

A atomoxetina é um medicamento usado no tratamento do TDAH, mas diferente de outros remédios conhecidos, ela não é estimulante.

Ela atua regulando a noradrenalina no cérebro, ajudando na atenção, organização e controle da impulsividade. O efeito não costuma ser imediato como nos estimulantes, mas tende a ser mais gradual e estável.

Estudos mostram que ela é considerada uma opção de primeira linha em algumas diretrizes internacionais, especialmente quando estimulantes não são indicados ou não foram bem tolerados.

Quando ela pode ser uma boa escolha para tratar o TDAH?

A atomoxetina pode ser considerada quando:

  • há intolerância ou efeitos colaterais importantes com estimulantes
  • existe ansiedade associada
  • há histórico de abuso de substâncias
  • os pais ou o próprio paciente têm receio do uso de estimulantes

Cada caso é individual. Não existe um único medicamento ideal para todos.

Como a pessoa com TDAH costuma se sentir antes de buscar ajuda

Muita gente com TDAH vive anos se sentindo:

  • desorganizada demais
  • impulsiva demais
  • distraída demais
  • sempre atrasada ou sobrecarregada

Com o tempo, isso pode gerar culpa, baixa autoestima e sensação de fracasso. Em adultos, é comum a frase: “eu sei o que preciso fazer, mas não consigo começar ou terminar”.

O tratamento não é sobre “virar outra pessoa”.
É sobre diminuir o sofrimento e facilitar o funcionamento.

E a família, como entra nisso?

A família costuma oscilar entre dois extremos:

  • cobrar mais disciplina
  • proteger demais e justificar tudo

Nenhum dos dois extremos ajuda.

O mais saudável é entender que TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. Não é falta de caráter, nem preguiça.

Apoio significa:

  • incentivar acompanhamento profissional
  • ajudar na organização prática do dia a dia
  • validar as dificuldades sem reforçar a desresponsabilização

Quando conversar com o psiquiatra?

Se você sente que:

  • não está respondendo bem ao tratamento atual
  • tem medo dos efeitos colaterais
  • já tentou parar medicação sozinho
  • não sabe se o remédio está realmente ajudando

Fale sobre isso na consulta.

O tratamento pode ser ajustado. Existem alternativas. A atomoxetina é uma delas, mas a decisão deve sempre ser feita junto ao profissional.

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Dra Natalia Soledade

Dra. Natália Soledade é médica psiquiatra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (2005), com especializações práticas em psiquiatria pela Residência Médica do Complexo Hospitalar Psiquiátrico do Juquery (2007) e no Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência – SEPIA (2008).

Atende presencialmente em São Paulo e também oferece consultas online. Mãe de menino, apaixonada por viagens e jogar tênis, a Dra. Natália une experiência clínica à sensibilidade de quem valoriza cada história pessoal.

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