Às vezes a mudança vem devagar: menos vontade de brincar, notas caindo, sono bagunçado, irritabilidade. Outras vezes é um baque: comentários de desesperança, choro fácil, vontade de se isolar. Entender depressão em crianças e adolescentes ajuda você a reconhecer cedo, aliviar culpas e buscar o cuidado certo.
Depressão é um transtorno de humor que afeta emoções, pensamentos, corpo e comportamento. Em crianças, a irritabilidade pode predominar sobre a tristeza. Em adolescentes, além das oscilações de humor, são comuns cansaço, problemas de sono, queda no rendimento e ideias negativas sobre si e o futuro. Quando esses sinais persistem por pelo menos duas semanas e trazem prejuízo em casa ou na escola, vale investigar.
O que muda na depressão de crianças e de adolescentes
Na infância, a depressão aparece com mais birras, regressões e queixas físicas sem causa clínica clara. Na adolescência, pesa a autocrítica, o isolamento, o uso de telas para escapar e, em alguns casos, o risco para uso de substâncias. Em ambos os casos, não é fraqueza nem “drama”. É sofrimento real e tratável.
Dados que ajudam a dimensionar depressão em crianças e adolescentes
Estudos internacionais estimam que a depressão afete cerca de 1,4% dos jovens de 10 a 14 anos e 3,5% dos 15 a 19, enquanto a ansiedade alcança 4,4% e 5,5% nas mesmas faixas. Pesquisas brasileiras apontam altas taxas de tristeza frequente e desesperança entre estudantes. Esses números não existem para alarmar, e sim para lembrar que a condição é comum, reconhecível e tem tratamento eficaz.
Depressão, ansiedade e TDAH: como se relacionam
Depressão e ansiedade costumam caminhar juntas, aumentando o sofrimento e dificultando rotina escolar e social. Tratar as duas reduz recaídas e acelera a recuperação. Já quem tem TDAH apresenta risco maior de desenvolver depressão, especialmente quando a autoestima é afetada por dificuldades acadêmicas e críticas constantes. O cuidado integrado considera psicoterapia, ajustes na escola e, quando indicado, medicação.
Sinais no dia a dia que merecem atenção
- menos interesse por atividades que antes davam prazer
- irritabilidade frequente, crises de choro ou explosões de raiva
- dificuldade de concentração e piora nas notas
- alterações de sono e apetite
- queixas físicas (dor de cabeça, dor de barriga) sem causa clínica clara
- comentários de desesperança, culpa excessiva ou autocrítica dura
- isolamento social e abandono de atividades
- em casos graves, pensamentos de morte ou de se machucar
Quando buscar ajuda
Procure avaliação especializada se os sinais acima durarem duas semanas ou mais e trouxerem prejuízo. Busque ajuda imediata em situações de risco, como ideias de morte, automutilação, alterações abruptas de comportamento ou uso de substâncias para “aguentar” o dia. No Brasil, o CVV 188 oferece apoio emocional gratuito 24 horas.
Como é o diagnóstico
A avaliação clínica envolve conversar com o jovem e com a família, mapear sintomas, riscos e contextos, e investigar comorbidades como ansiedade e TDAH. Exames podem ser solicitados quando há suspeita de outras condições. O objetivo é construir um plano de cuidado possível para a realidade da família, com metas claras e acompanhamento próximo.
Tratamento que funciona
A psicoterapia baseada em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Terapia Interpessoal, ajuda a regular emoções, reorganizar pensamentos e retomar rotinas de sono, estudo e lazer. A participação da família costuma ser decisiva. Em quadros moderados a graves, ou quando a psicoterapia isolada não é suficiente, podem ser indicados ISRS com monitoramento médico. Há valor em hábitos que sustentam o tratamento, sono regular, alimentação adequada, atividade física e um acordo realista sobre tempo de tel, sem culpabilizar o jovem. Alinhamento com a escola para ajustes temporários reduz prejuízos e pressões desnecessárias.
Depressão em crianças e adolescentes: como a família pode apoiar
- validar o que o jovem sente em vez de minimizar
- reduzir críticas e comparações; reconhecer pequenos avanços
- acompanhar consultas e aderir ao plano terapêutico
- combinar limites de tela de forma realista e progressiva
- manter diálogo aberto com a escola e com a rede de apoio
- em risco agudo, retirar meios letais do ambiente e buscar ajuda imediatamente
Agende uma consulta
Detectar cedo muda a história. Se você identificou sinais em um filho, aluno ou adolescente sob seus cuidados, o próximo passo é uma avaliação especializada. A Dra. Natália atende com base em evidências e com olhar humano para cada família. Agende sua avaliação e construa um plano de cuidado seguro e possível para o momento de vocês.