O interesse por práticas como yoga, meditação e outras terapias mente-corpo tem crescido entre crianças e adolescentes nos últimos anos. Dados recentes mostram que essas abordagens, conhecidas como terapias complementares e integrativas, estão cada vez mais presentes na rotina de famílias que buscam estratégias para promover bem-estar físico e emocional.
Uma análise publicada na revista científica JAMA Pediatrics revelou que o uso dessas terapias entre jovens mais que triplicou desde 2007. O estudo analisou dados de quase 23 mil pais de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos, coletados em diferentes edições do National Health Interview Survey, uma das principais pesquisas de saúde dos Estados Unidos.
Crescimento expressivo no uso do Yoga e meditação
Os resultados mostram uma mudança significativa ao longo dos anos. Em 2007, cerca de 4,6% das crianças e adolescentes utilizavam algum tipo de terapia complementar, como yoga, meditação, acupuntura, massagem ou técnicas de relaxamento guiado. Em 2022, esse número chegou a 17,7%.
O crescimento foi observado em todas as faixas etárias, mas foi especialmente marcante entre crianças mais novas. Entre 6 e 11 anos, o uso dessas terapias aumentou de 3,2% para 18,7%. Entre crianças de 4 a 5 anos, o aumento foi semelhante, passando de 3,3% para 18,6%. Já entre adolescentes de 12 a 17 anos, a utilização subiu de 6,4% para 16,5%.
O estudo também observou que não houve diferenças relevantes nesse crescimento quando analisados fatores como sexo, raça ou etnia.
Yoga e meditação lideram entre as práticas mais utilizadas
Entre todas as terapias avaliadas, o yoga foi a prática mais comum entre crianças e adolescentes em 2022, sendo utilizado por 12,6% dos jovens. Em seguida apareceu a meditação, com 6,9% de uso.
Outras terapias, como massagem, relaxamento guiado e naturopatia, também foram relatadas, mas em menor frequência. A acupuntura foi a menos utilizada, com apenas 0,2% dos jovens tendo acesso a esse tipo de prática.
Esse crescimento pode refletir uma mudança cultural importante. Práticas antes consideradas alternativas vêm ganhando espaço dentro de uma abordagem mais ampla de cuidado em saúde, especialmente quando o objetivo é promover equilíbrio emocional, reduzir estresse e melhorar qualidade de vida.
O papel das terapias mente-corpo na saúde mental
Nos últimos anos, a integração entre medicina tradicional e práticas mente-corpo tem despertado interesse na área da saúde mental. Estratégias como meditação, yoga e técnicas de respiração são frequentemente associadas à melhora da regulação emocional, redução de ansiedade e aumento da capacidade de concentração.
Crianças e adolescentes com condições como dor crônica, dores de cabeça, dores musculoesqueléticas ou dor abdominal funcional já utilizam essas abordagens com relativa frequência. Nessas situações, as terapias complementares podem funcionar como apoio ao tratamento convencional.
Além disso, atividades como yoga e meditação ajudam a desenvolver habilidades importantes desde cedo, como consciência corporal, atenção plena e capacidade de lidar com emoções difíceis.
O que ainda precisa ser estudado
Apesar do crescimento no uso dessas terapias, os pesquisadores destacam que ainda são necessários mais estudos clínicos para avaliar com precisão seus benefícios em diferentes condições de saúde.
A pesquisa analisou apenas relatos dos pais sobre o uso dessas práticas nos últimos 12 meses, o que pode gerar alguma imprecisão nos dados. O estudo também não investigou os motivos específicos que levaram as famílias a procurar essas terapias, nem a frequência ou intensidade da prática.
Mesmo assim, o aumento consistente ao longo dos anos sugere que essas abordagens estão se tornando cada vez mais aceitas entre famílias e profissionais de saúde.
Uma tendência que reflete mudanças no cuidado com a infância
O crescimento das terapias mente-corpo entre crianças e adolescentes pode refletir uma transformação mais ampla na forma como se pensa a saúde. Em vez de focar apenas na ausência de doença, cresce a valorização de estratégias que promovem equilíbrio físico, emocional e mental.
Para muitas famílias, práticas como yoga e meditação representam uma oportunidade de ensinar crianças e adolescentes a desacelerar, prestar atenção ao corpo e desenvolver recursos internos para lidar com o estresse do dia a dia.
À medida que novas pesquisas surgem, essas práticas podem ganhar um papel cada vez mais relevante na promoção de saúde e no cuidado preventivo durante a infância e a adolescência.



